Copiando a natureza para fabricar drones

Se você pilotar um drone por bastante tempo, é muito provável que, cedo ou tarde, o fará se espatifar contra um prédio, uma parede, uma árvore ou sobre o solo. Em algumas ruas estreitas, por exemplo, muitas vezes ocorrem fortes ventos inusitados, os quais põem em risco os procedimentos de voo e a segurança dos drones. Com frequência o dispositivo de voo fica danificado e impróprio para uso. “Animais voadores são encontrados em todos os locais de nossas cidades”, afirmou David Lentink, da Universidade de Stanford, nos EUA. “Desde pombas à procura de alimento até moscas farejando álcool das frutas, esses animais aprenderam rapidamente a voar de maneira controlada através dos ambientes urbanos e a aproveitar nossos recursos”.[1] Os insetos voadores, como abelhas ou vespas, constantemente batem em plantas, paredes ou vidraças. – Os drones também precisariam aprender esses truques dos animais para então poderem dominar essas dificuldades e trabalhar com confiança e segurança. Esse é o grande desafio dos atuais pesquisadores: dotar os drones de “asas” que os tornem flexíveis e robustos o suficiente para sobreviverem intactos em caso de colisão.

Cientistas da Hungria resolveram o problema da limitação de visibilidade entre os prédios formando grupos de drones: com o auxílio de um novo algoritmo, eles voam em grupos com até nove aparelhos. Dessa maneira, o grupo de drones consegue interligar as percepções, o que facilita, por exemplo, seguir um carro em movimento ou observar um ambiente maior. Por outro lado, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard está trabalhando com miniaturas. O micro drone construído pelos engenheiros tem o tamanho de uma moeda de um centavo e, ao bater suas asas, lembra uma mosca doméstica. A visão dos pesquisadores é ter, na área agrícola, grandes “enxames” desses insetos eletrônicos, que poderiam assumir a polinização das plantas. Já existem pesquisadores de Lausane, Suíça, que buscam um método para construir os drones baseados no modelo de insetos. O resultado é um protótipo que permanece rígido enquanto está no ar, mas que se retrai no caso de uma colisão. As vespas e as abelhas adotam exatamente essa interessante estratégia biomecânica para evitar ferimentos.

Nota

  1. IOP Science, “Neue Drohnen – von der Natur abgeschaut”, MMCD New Media, 26 mai. 2014. Disponível em: <https://bit.ly/33fJRir>.
sumário Revista Chamada Setembro 2020

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